sexta-feira, 14 de junho de 2013
Afinal, o que é a beleza?
A mídia manipulou a sociedade a aceitar seu padrão de beleza até chegar num ponto em que todos se cegaram da realidade, pela imagem pré-definida criada por esse sistema inumano. Essa carcaça, o corpo, que é tudo o que o ser humano pode ver, está morrendo a cada segundo que passa, e alguém já disse que o homem começa a morrer a partir do momento que nasce. E o que vai sobrar depois que, aos poucos, a bio for degradando os restos de "beleza" que for nos sobrando? Primeiro perde-se a rigidez da pele, depois a cor dos cabelos. O tom límpido do rosto dá lugar às manchas marcadas pela vivência debaixo do sol, da grande estrela, tão bela em sua luz, mas que causa a "desbeleza" do homem. Se é a beleza algo tão vazio, tão superficial, tão passageiro, qual a razão de ser observada com tanta importância? Ou seria outro o conceito de beleza?
Belo é aquilo que nos dá prazer ao ver. Mas, se enxergar envolve apenas o superficial, o inconsistente, a imagem imediata, como podemos chamar de beleza? A flor é bela, hoje, mas amanhã, quando murcha, deixa de ser. Esse é o prazer imediato proporcionado pelo ato de enxergar. Haveria a possibilidade de enxergar a beleza na mesma flor quase murcha? Sim, quando deixássemos de enxergar com os olhos e continuássemos a sentir o perfume.
Se a beleza se trata disso que nós crescemos acreditando ser, quer dizer que o cego não sabe o seu significado, pois a beleza só se dá através do que é absorvido pela visão. Mas essa é a beleza conceituada em nós pela mídia. Que tal ver beleza através de outros meios, menos passageiros, mais consistentes, mais prazerosos, mais promissores de continuidade?
Para um cego, belo é o que ele sente através dos outros sentidos, são as palavras bonitas que ouve daquela que ama, é o cheiro da chuva, é a brisa do vento, é o gosto do chocolate. E isto não causa tanta decepção quanto a beleza passageira da visão, pois o cheiro da chuva sempre será o cheiro da chuva, a brisa sempre será brisa, o gosto do chocolate sempre será o gosto do chocolate, mas o belo superficial deixará de ser, um dia. A mocinha ficará velha, a força da gravidade atuará nas estruturas que firmam a sua pele e seus lindos cabelos perderão a cor.
O desafio agora é desconcentrar o conceito de beleza no que foi padronizado pela mídia e fundamentar-se em um novo conceito. Você é belo pelo sentimento que causa nas pessoas, pelos valores que carrega consigo, pela harmonia que tem com o mundo, pelos costumes e cultura que que marcam a sua existência.
Sua aceitação social não depende tanto dessa beleza que, até hoje, você acreditou ser a única e exclusiva verdade. Alguém disse que essa beleza só é importante nos primeiros quinze minutos, e após isso você precisa ter algo mais a oferecer. E é exatamente esse "algo mais" que te tornará realmente belo.
Para finalizar, uma frase: A beleza não está apenas nos olhos de quem vê, mas na audição, no olfato, no paladar e no tato de quem sente.
Bruna Salvi Fernandes
Assinar:
Comentários (Atom)
